

A DeZíy
Sou Denise Scótolo, ceramista, professora e idealizadora do DeZíy Atelier.
Minha trajetória na cerâmica começou pelo prazer do fazer manual e se aprofundou na pesquisa da cerâmica de alta temperatura, na formulação de esmaltes e na construção de uma linguagem autoral. Ao longo dos anos eu transitei entre a funcionalidade, a superfície e a pintura, desenvolvendo um repertório que une técnica, presença e identidade.
Mais recentemente, minha pesquisa tem se inclinado com mais força para a pintura em porcelana, o baixo-esmalte e a criação de pequenos objetos que carregam gesto, detalhe e narrativa. São peças que transitam entre o uso e o afeto — entre aquilo que vai à mesa e aquilo que se guarda.
A cerâmica, para mim, é linguagem em movimento e a minha produção acompanha diferentes ciclos de investigação cada coleção marca uma etapa dessa trajetória.
Universo simbólico
Meu trabalho parte da ideia de casa como território simbólico: abrigo, corpo e espaço de pertencimento.
Há uma recorrência de formas orgânicas, presenças femininas e elementos da natureza que dialogam com interioridade, força e delicadeza humana. Folhas, flores, texturas e cores que remetem à paisagem atravessam as peças como extensão desse olhar.
Minha cerâmica fala sobre pertencimento. Sobre criar espaços — externos e internos — onde seja possível estar.
Trajetória profissional
Minha trajetória passa pelo ensino, pela pesquisa e pelas artes. Sou mestre em Estudos Culturais pela USP e atuei por mais de uma década como professora em instituições de ensino técnico, superior e de pós-graduação. A experiência docente marcada pela escuta, pelo cuidado com o processo e pela construção de percursos formativos segue sendo um eixo fundamental do meu trabalho.
As artes sempre estiveram presentes na minha vida, atravessando diferentes momentos e formações. Em 2019 eu escolhi direcionar essa trajetória de forma mais concentrada para a cerâmica, trocando a carreira acadêmica pela prática artística e pelo ensino em atelier próprio.
Ensinar, para mim, é criar condições. E o atelier é o espaço onde essas condições se materializam — com tempo, presença e compromisso com o processo.
Participações
Ao longo do meu percurso como ceramista, eu participei de exposições, mostras e projetos que colocam meu trabalho em diálogo com diferentes instituições, espaços culturais e públicos.
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Vestir Cerâmica – 2ª edição — New Gallery, São Paulo, SP
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14a Grande Exposição de Arte Bunkyo — Museu de Arte Bunkyo, São Paulo, SP
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Avoar — Museu da Imigração, São Paulo, SP
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A Xícara do Museu — Museu do Café, Santos, SP
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Exposição coletiva de cerâmica — Casa de Vidro. Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, SP
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(Re)voar — Memorial de Arte Adélio Sarro, Vinhedo, SP
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Cerâmica em Tempos de Coronavírus — Exposição virtual
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Convidada para apresentar meus processos e pesquisa em cerâmica: Grupo de Estudos em Cerâmica "Chamote" — Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, SP
Minha cerâmica nasce da ideia de casa.
Casa como abrigo, como corpo e território sagrado.
Meu trabalho atravessa um feminino que não é estereótipo. Ele é força telúrica. É terra úmida nas minhas mãos, fogo que transforma, água que modela e ar que atravessa as janelas.
Eu crio a partir de uma cosmologia pessoal onde o corpo é morada, a natureza é linguagem, as flores são pensamento, o gato guarda o silêncio, o pássaro anuncia o mundo, o Sol é ouro e a Lua é platina.
Existem janelas, porque olhar para fora também é parte de existir.
Existem seres mágicos, porque imaginar é uma forma de resistência.
Existem corações, flores, pequenas casas e palavras douradas, porque delicadeza também é força.
Minha cerâmica é sobre pertencimento. Sobre ter para onde voltar. Sobre cuidar do espaço interno.
Esse é o eixo que sustenta meu trabalho e é a partir dele que as coleções continuam a crescer.






















